Emanuel, Gabriela Schaaf, Maria Enes e Tó Leal comentam “Amar pelos Dois”

Continuamos a publicar as mensagens que temos recebido sobre a canção portuguesa para o Festival Eurovisão da Canção deste ano, o tema de Luísa Sobral, interpretado por Salvador Sobral que se intitula Amar pelos Dois. Estamos a verificar uma enorme onda de apoio em torno do nosso tema e os comentários que temos recebido são prova disso. O tema composto por Luísa Sobral para o seu irmão está a emocionar e cativar a opinião pública.

Hoje publicamos mais quatro testemunhos, desta vez de Emanuel, Gabriela Schaaf, Maria Enes e Tó Leal.

Emanuel nasceu a 25 de Março de 1957, em Sabrosa. É um dos autores, compositores e cantores mais conhecidos do nosso país. Começou a sua carreira artística em 1986 e não mais parou até aos dias de hoje. Obteve o enorme sucesso em 1995 com o tema Pimba, Pimba, que passou a rotular um género de música popular do nosso país. Participou como intérprete no Festival da Canção em 1991, com o tema Com Muito Amor. Voltou como autor e compositor em 2007 e 2014, com os temas Dança Comigo e Quero Ser Tua, interpretados por Sabrina e Suzy, respetivamente. Venceu esses dois Festivais e representou o nosso país nos Festivais da Eurovisão, ficando muito perto de alcançar a final. Emanuel continua a editar trabalhos que são todos eles um êxito, sendo considerado por todos como um dos melhor compositores portugueses, facilmente se adaptando a novos estilos musicais.
Fique com as palavras de Emanuel sobre a nossa canção:
Enquanto músico e também enquanto fã do Festival da Canção desejo à canção, ao intérprete e a toda a delegação o melhor e a obtenção do melhor resultado possível.
Emanuel

Gabriela Schaaf nasceu a 15 de Março de 1960, em Basileia, na Suíça. Em 1971 vem viver para Portugal e alguns anos mais tarde fez audições para gravar três temas com a Banda do Casaco. Os autores deste grupo compõem para ela o tema Põe Os Teus Braços À Volta de Mim, em 1978, que se tornou um enorme sucesso. No ano seguinte participou no Festival da Canção com o tema Eu Só Quero, ficando em 2º lugar. Editou vários trabalhos discográficos no início dos anos 80, quer em português, quer em inglês. Em 1986 voltou ao Festival da Canção com o tema Cinzas e Mel, representando o Centro de Produção do Porto. Abandonou depois a carreira artística e refugiou-se em Zurique, onde vive até hoje e tem uma loja de decoração. Fez parte do júri de sala do Festival da Canção deste ano.
Também ela não ficou indiferente à canção de Luísa Sobral e deixou-nos a seguinte mensagem:
Quando ouvi a canção e a voz do Salvador pela primeira vez, senti arrepios e fiquei emocionada porque é uma combinação perfeita de uma voz e cantor sensacional, uma lindíssima melodia – e um arranjo incrivelmente belo e tão sensível. Quando uma canção transmite tudo isso, não deixa ninguém indiferente. Não é preciso entender português, porque a canção entra em via direta para o coração. Para mim já é um clássico. Maravilhoso!!!
Gabriela Schaaf

Maria Enes nasceu a 8 de Dezembro de 1966 e reside em Ponta Delgada, donde é originária. Trabalhou na RTP Açores, onde apresentou vários programas e também a final dos célebres Jogos Sem Fronteiras em 1992, ao lado de Ana do Carmo e Eládio Clímaco. Participou no Festival da Canção 1995, depois de concorrer ao programa de novos talentos Selecção Nacional. No Festival classificou-se em 7º lugar com o tema Atlântica.
Fique com as palavras de Maria Enes acerca da nossa canção, bem como alguns poemas escritos pela cantora, que dedica à nossa participação:
Subtileza e génio. Sem querer adjetivar demasiado a canção “Amar pelos dois”, magistralmente interpretada por Salvador Sobral. Sim porque agora sim temos um intérprete, capaz de ombrear com todos aqueles que fizeram história neste evento. Agora sim impossível ficar-lhe indiferente. Logo nos primeiros acordes se anteviu, o que se iria passar nos minutos seguintes. A voz que não sendo estrondosa, dá-nos a sensação de não pertencermos a este mundo. O génio da composição de Luísa Sobral, não será, contudo, entendido pela Eurovisão como nós desejaríamos, no entanto, sendo Kiev a cidade anfitriã, confiamos no gosto requintado, de quem muito orgulhosamente, pertenceu à Rússia. A aposta parece tanto ganha como incógnita. Com “Amar pelos dois” elevou-se de tal modo o espírito, que só me resta respirar fundo, fechar os olhos e deixar-me levar.
Para celebrar o Festival deste ano, presto homenagem desta forma:

Eco

O Azul é o Rosa profundo./ Aqui estou a pensar/ Por ser e mar./ Não foi aquilo que passou,/ O verbo que não amou./ Foi assim,/ Tocado por mim/ Num fio sem fim,/ Porto que será barco/ Cores que são arco, /Foi assim./ Das névoas, se fez azul,/ E as róseas varas de Sol,/ Rasgam vagas em qualquer bemol/ Distantes bem ao sul/ Foi assim?/ Janelas baças, frios brancos/ Sem sequer o olhar,/ Fez-se tudo em gestos mansos/ Do mesmo real a pensar./ Se tudo foi assim/ Porque não está em mim/ O olhar que já não é;/ Roda, pedrinha e jasmim/ Breve traço de Oboé
2001/ MCE

A vitória cabe a nós/ Infernos de algum dia esquecido,/ De todas as curtas viagens,/ Passadas e feitas, de quem só/ Não saiu, como também não foi./ Vês como eu não tenho/ Este pensar, Rio de penar./ Volta do mundo, sem sair do lugar;/ Escorrega o imaginário, donde escorrem/ Recordações, não mais do que/ Mutações, lembranças vivas de tudo/ O que passa, ventos correntes/ Sopros, mares, cérebros como estradas,/ Caminhos percorridos para lá da/ Esfera emocional, para lá do visível./ Do que não posso dizer./ Mastiga este bolo biliar/ Do fundo do céu num/ Amontoado de linhas cruzadas.
MCE

Cruz de Asfalto/ No armário das consolações deixei,/ Se és tu, por Deus sente!/ Sombra da luz dormente,/ De nada serve, saber que amarei./ O vago em construção, confunde-se e/ Mede-se, a mistura que se funde,/ Trocam-se lugares e modos, por sensações,/ De tudo o que há e que se aprofunda./ Esta sensação do nada/ Feito de asfalto; Argamassa de sentidos/ Destes mesmos que tu e eu/ Agora que tudo é céu./ E mesmo ter não serve/ Porque deixei num gesto breve/ A intenção de recordar/ O que esqueci de dar./ A fogo, por milhas traçada,/ Sem ver e sem guardar/ Esquiva-se em surdos gestos/ Destes mesmos que tu e eu./ Em mutações mirabolantes/ De passos já passados, marcados e quentes/ Dos ventos nada se espera.
2001/MCE

Maria Enes

Tó Leal nasceu a 8 de Março de 1960, na Amadora. É músico, cantor e encenador, tendo feito os seus estudos na Academia de Música de Lisboa e de Gotemburgo. A sua primeira experiência musical de relevo foi o grupo Beatnicks, do qual foi vocalista, entre 1975 e 1982. A partir daí começou uma carreira a solo que se destacou nos finais dos anos 80 e inícios dos anos 90 com a edição de vários trabalhos discográficos. Participou em vários Festivais RTP e também no Festival de Viña del Mar, no Chile. Fez parte dos cantores residentes do programa Regresso Ao Passado, em 1990/1991 e Entretenimento Total, em 1991/1992. Em 1995 começou uma série de colaborações com Filipe La Féria, primeiro como compositor e diretor vocal e depois ator e assistente de encenação. Participou em várias peças de teatro nessa altura. Atualmente faz parte da Contracanto, que encena vários espectáculos em Carregal do Sal, com enorme sucesso. Tó Leal é um dos mais completos artistas portugueses. Participou no Festival da Canção 1988, com o tema Por Te Querer Assim (Prémio Nacional de Música) e Encontro Imediato (Selecção Interna). Voltou no ano de 1991, em dueto com Gustavo Sequeira para interpretar Bye Lili Bye. As suas duas últimas participações no Festival da Canção foram em 1996 e 1999 com os temas Eu, Mesmo e Sete Anos, Sete Dias, respectivamente.
Fique com as declarações deste cantor, ator e encenador:
“Amar pelos dois” é uma verdadeira lufada de ar fresco. Uma janela que se abriu no panorama medíocre do Festival dos últimos anos. Arranjos inteligentes, melodia de fino recorte, servida por uma interpretação sensível e absoluta. Estou feliz pela escolha. Obrigado.
Tó Leal

Agradecemos a Emanuel, Gabriela Schaaf, Maria Enes e Tó Leal a sua colaboração. Aceda aqui aos comentários já publicados anteriormente.

Fonte: Festivais da Canção | Depoimentos recolhidos por Carlos Portelo e Miguel Meira

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