Kátia Moreira, Mafalda Drummond, Samuel e Sérgio Castro comentam “Amar pelos Dois”

Continuamos a publicar as mensagens que temos recebido sobre a canção portuguesa para o Festival Eurovisão da Canção deste ano, o tema de Luísa Sobral, interpretado por Salvador Sobral que se intitula Amar pelos Dois. Estamos a verificar uma enorme onda de apoio em torno do nosso tema e os comentários que temos recebido são prova disso. O tema composto por Luísa Sobral para o seu irmão está a emocionar e cativar a opinião pública.

Hoje publicamos mais quatro testemunhos, desta vez de Kátia Moreira, Mafalda Drummond, Samuel e Sérgio Castro.

Kátia Moreira nasceu em Lisboa a 22 de Novembro de 1980. A música sempre fez parte da sua vida e em 2001 concorreu ao programa Popstars, na SIC, donde saiu vencedora com as suas colegas e formou a girlsband NonStop. Tiveram um enorme sucesso em Portugal e lançaram dois discos. Participaram no Festival da Canção em 2006, do qual saíram vencedoras com o tema Coisas de Nada, representando o nosso país na Eurovisão, em Atenas. Pouco depois a banda termina e a partir daí Kátia Moreira começa uma carreira a solo, cantando em bares e hotéis até aos dias de hoje.
Fique com as palavras de Kátia Moreira sobre a nossa canção:
Antes demais é um orgulho enorme poder falar do nosso representante deste ano, porque já sou fã dele desde que participou no Ídolos. “Amar pelos dois” é qualquer coisa de extraordinário, assim como a interpretação do Salvador. Sempre fui fã das músicas não festivaleiras, tenho a certeza que o nosso tema deste ano vai sobressair precisamente por não o ser, e claro que o Salvador só nos vai deixar bem vistos pela forma tão genuína e delicada com que canta esta canção! Há músicas perfeitas e esta é uma delas! A melodia, o arranjo, a interpretação, até os gestos, são gestos de quem está a sentir o que está a cantar e não apenas a despejar notas pela boca fora!
Estava em casa a ver o Festival e quando a música começou lembrei-me imediatamente dos filmes antigos da Disney, quando o Salvador começou a cantar fiquei suspensa e acho que só voltei a respirar quando a música acabou! A única coisa que consegui dizer foi um grande palavrão (LOL), no bom sentido claro! Exagero ou não, quem sente a música como nós músicos, percebe o que quero dizer!!!
Estou mesmo muito orgulhosa por ser esta música e este “monstro” a representar-nos na Eurovisão. Quem fala mal apenas não entende a genialidade deste miúdo! As pessoas são cada vez mais felizes com a desgraça alheia e isso é triste! Tenho a certeza que vamos ter a melhor classificação de sempre num Festival, temos música para ganhar, mas isso já era outra conversa bem longa… Boa sorte para toda a equipa e beijos para todos os fãs do ESC.
Kátia Moreira

Mafalda Drummond nasceu a 17 de Julho de 1957, filha do autor e compositor José Drummond. Estreou-se profissionalmente no teatro integrando a peça Godspell. Depois disso tem um enorme sucesso continuando a fazer teatro e revista durante toda a década de 70 e 80. Participou no Festival da Canção 1977, como elemento do duo Cara ou Coroa, com Joel Branco, onde interpretou o tema Rita, Rita, Limão. Participou em várias novelas e séries das quais se destacam Vila Faia, Origens, Cinzas, Médico de Família, entre muitas outras. As suas últimas aparições no teatro foram em duas peças de Filipe La Féria: Amália (em 2005) e Piaf (em 2010). Infelizmente esta excelente atriz encontra-se desempregada por falta de convites profissionais.
Também ela não ficou indiferente à canção de Luísa Sobral e deixou-nos a seguinte mensagem:
Acho uma canção maravilhosa. O Salvador tem uma sensibilidade tão genuína que lhe dá um cunho muito especial. Cá, sem sombra de dúvidas mereceu ganhar.
Agora lá fora, como ninguém percebe português nem sabem onde fica Portugal, receio mais uma vez sermos desclassificados.
Um milagre (eu acredito em milagres), pode fazer com que fiquemos na história para sempre.
E não será preciso o primeiro lugar, o segundo era maravilhoso.
Muita sorte para o Salvador.
Mafalda Drummond

Samuel nasceu a 1 de Agosto de 1952. Começou a sua carreira em 1972, quando em Setúbal, mostrou os seus temas a Zeca Afonso. Um dos seus primeiros temas foi O Cantigueiro, que até hoje é uma canção bastante conhecida. Colaborou com Carlos Mendes, Duarte Mendes e Tonicha, no disco histórico, Fala do Homem Nascido. Depois do 25 de Abril tornou-se um cantor habitual do chamado canto de intervenção, sendo presença assídua ainda hoje nas Festas do Avante. Participou em inúmeros festivais a partir de 1979 até 1984, quer a solo, quer como elemento do grupo S.A.R.L. (com Pedro Osório e Carlos Alberto Moniz), este último em 1979, 1980 e 1982. A solo participou com duas canções em 1979, uma em 1980 e 1981 e três em 1984, ano em que foi mais bem sucedido, alcançando um 2º lugar com o tema Pelo Fim da Tarde. Fez várias bandas sonoras para telenovelas, das quais se destacam Vila Faia e Roseira Brava. Colaborou em vários projectos com Paco Bandeira. Tem atuado em diversos espetáculos e recentemente lançou o seu novo trabalho intitulado Sempre Um Fim, Sempre Um Começo.
Fique com as palavras de Samuel acerca da nossa canção:
A pergunta sobre o que penso da canção vencedora do Festival RTP da Canção de 2017 vem mesmo na altura perfeita.
Tivesse sido feita num outro ano qualquer e eu teria sido tentado, por pura comodidade, a fazer um exercício de um certo cinismo, dizendo que não podia dar grandes opiniões, por ter deixado já há anos de seguir atentamente o concurso, etc… mas, felizmente, desta vez não é o caso!
O formato e o elenco de intérpretes e autores anunciados fez-me seguir com curiosidade o desfile das canções concorrentes deste ano. Ainda a “performance” do Salvador Sobral ia a meio e eu já tinha decidido que era – finalmente! – a primeira canção e interpretação de que eu gostava muito, sem reservas e no seu todo… desde mil novecentos e troca o passo, quando venceu “O meu coração não tem cor”, do Pedro Osório e do Fanha, na voz da Lúcia Moniz.
Voltando a “Amar pelos dois, é uma bela canção em qualquer parte do mundo. Apresentou-se com um arranjo musical de luxo. Para além disso, a luminosa e algo encantatória forma de cantar do jovem Salvador, torna-a única.
Independentemente da classificação na Eurovisão (que é o que menos me interessa), já ganhámos!
Parabéns Luísa Sobral… parabéns Salvador Sobral… parabéns a quem votou!
Samuel

Sérgio Castro nasceu a 30 de Março de 1955 no Porto, mas vive atualmente em Vigo, na Espanha. É cantor, autor e compositor, tendo-se destacado por ter feito parte de inúmeros grupos como os Psico, os Arte & Ofício e nos anos 80, dos Trabalhadores do Comércio, com quem ainda continua por vezes a tocar. Foi um dos grupos de culto desta década responsável por inúmeros sucessos dos quais se destacam Chamem A Polícia, entre muitos outros. Participaram no Festival da Canção 1986, pelo Centro de Produção do Porto, com o tema Os Tigres de Bengala, classificando-se em 2º lugar ex-aequo. Do grupo faziam parte também Álvaro Azevedo e Joe Médicis. Sérgio Castro continua a tocar e a cantar tanto em Portugal, como no norte de Espanha, onde reside.
Fique com as declarações deste cantor, autor e compositor:
Como penso que é do conhecimento geral, eu não vivo em Portugal, mas vivo perto, até porque, hoje, a distância tem pouca importância.
Por outro lado, nos últimos anos tive tendência a não atender ao Festival RTP. Porém, este ano, chamou-me a atenção o facto de estarem a repetir a “fórmula” que em 1986 (o ano em que também me convidaram como “compositor” e acabei a participar com os Trabalhadores) tinha dado, pelo menos, algum resultado inesperado.
Por isso, tentei e consegui ver parte da primeira eliminatória (cortesia da RTP Internacional). Fiquei imediatamente surpreendido com a presença do Salvador, que não conhecia, nem sabia do seu parentesco com a Luísa, cuja voz e carreira aprecio.
O Salvador, para além de uma afinação impecável, apesar das melodias complicadas sobre harmonias complexas que executa, têm uma presença única que ou se gosta ou se detesta — eu gosto — e, acima de tudo, entrega às suas interpretações uma enorme emoção. E disso eu também gosto. E pelos vistos muitos mais pensam como eu.
Não me interessa nada se vai ficar em boa ou menos boa posição na “parada” da Eurovisão, pois há países a necessitar visibilidade nesta UE festivaleira, que está com problemas de afirmação, e já sabemos como é fácil manipular a balança.
Para mim o Salvador já ganhou!
Sérgio Castro

Agradecemos a Kátia Moreira, Mafalda DrummondSamuel e Sérgio Castro a sua colaboração. Aceda aqui aos comentários já publicados anteriormente.

Fonte: Festivais da Canção | Depoimentos recolhidos por Miguel Meira

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s