Darko, David Guerreiro, José Fanha e Miguel Gizzas comentam “Amar pelos Dois”

Continuamos a publicar as mensagens que temos recebido sobre a canção portuguesa para o Festival Eurovisão da Canção deste ano, o tema de Luísa Sobral, interpretado por Salvador Sobral que se intitula Amar pelos Dois. Estamos a verificar uma enorme onda de apoio em torno do nosso tema e os comentários que temos recebido são prova disso. O tema composto por Luísa Sobral para o seu irmão está a emocionar e cativar a opinião pública.

Hoje publicamos mais quatro testemunhos, desta vez de Darko, David Guerreiro, José Fanha e Miguel Gizzas.

Darko ou melhor Zé Manel Bicho nasceu a 4 de Maio de 1988. A sua carreira começou desde cedo quando foi um dos concorrentes da 2ª série do concurso Os Principais, na RTP, no final dos anos 90, quando interpretou um tema de Alanis Morissette. Depois, aos 14 anos integrou a banda Fingertips, como vocalista, tendo tido um enorme sucesso. Fez parte deste grupo de 2002 até 2009, sendo que a partir daí enveredou por uma carreira a solo, adoptando o nome Darko. Editou o seu primeiro trabalho Borderline Personality Disorder, tendo este tido uma segunda edição que incluiu o tema Olhos No Chão, um tema escrito contra o bullying. Em 2016 editou o seu segundo trabalho Over Expression, que teve a participação de Mafalda Arnauth e Filipa Azevedo, entre outros. Participou na última série do programa A Tua Cara Não Me É Estranha e encontra-se a preparar o seu novo trabalho donde já saiu o single Março. Tem uma das melhores vozes da nossa atualidade, sendo autor e compositor dos seus próprios temas, sendo um dos maiores talentos musicais do nosso país.
Fique com as palavras de Darko sobre a nossa canção:
Confesso sentir que menosprezei, felizmente, o bom gosto do meu país. A princípio duvidei da renovação a que o festival se propôs e da sua consequente eficácia. No entanto, não podia ter ficado mais satisfeito e feliz com a música que nos vai representar. Tenho a certeza que vamos ser surpreendidos pela dignidade com que tal vai acontecer. Não existe música de festival, até porque festival é um evento de música e não um género musical. Posto isto, ganhou a simplicidade e a qualidade. Uma composição extraordinária, um poema lindíssimo, aliados a uma interpretação despretensiosa e singular, carregada de identidade e subtileza. Acho que não podíamos desejar muito mais, acho que a música foi maior que o certame e conseguiu apaixonar Portugal. Ainda que não houvesse festival, teríamos tido o privilégio de ser agraciados por um grande tema e isso faz com que devamos agradecer humildemente aos irmãos Sobral pelo que nos proporcionaram cá dentro e que creio ser superior a qualquer competição. Sou absolutamente fã.
Darko

David Guerreiro nasceu a 6 de Fevereiro de 1987. Vive no Seixal e é Terapeuta da Fala, profissão que desempenha com distinção a par com a profissão de cantor. Esteve presente no Festival da Canção 2014, como elemento do coro do tema Nas Asas da Sorte, interpretado por Zana. Em conjunto com esta equipa e com direcção de Marco Quelhas fez parte do musical Mundus em 2015. Tem o projecto Portugal Ao Luar, onde interpreta temas bem conhecidos de todos num formato acústico.
Também ele não ficou indiferente à canção de Luísa Sobral e deixou-nos a seguinte mensagem:
Acho a canção absolutamente incrível. A meu ver, eleva a sensibilidade interpretativa do Salvador com uma letra e música muito bem conseguidas. Independentemente da classificação na Eurovisão, acredito que ganhámos (portugueses) uma belíssima canção que, em tanto, nos identifica.
David Guerreiro

José Fanha nasceu a 19 de Janeiro de 1951. É poeta e tem escrito bastante literatura infanto-juvenil. Trabalhou como jornalista de 1969 a 1976, data em que se licenciou em Arquitectura. Foi professor do Ensino Secundário de 1978 a 2009. Após o 25 de Abril surgiu a declamar poesia em espectáculos ao lado de Zeca Afonso, Carlos Paredes, Manuel Freire, Francisco Fanhais, entre outros. Teve bastante visibilidade ao passar pelo programa A Visita da Cornélia, em 1977, onde apresentou o poema Eu Sou Português Aqui, um dos mais notáveis poemas deste autor. Escreveu vários livros sobretudo para os mais novos e também para televisão sendo dele o argumento de novelas e séries como Rua Sésamo (1990), Na Paz dos Anjos (1994), Nós os Ricos (1996-1999), Ana e os Sete (2003), entre muitos outros. Participou pela primeira vez no Festival da Canção 1996 com o tema O Meu Coração Não Tem Cor, interpretado por Lúcia Moniz, que venceu o certame e representou Portugal na Eurovisão. Em 1998 assinou as letras dos temas interpretados por Sofia Barbosa, Carlos Évora e Ana Isabel e no ano seguinte Sete Anos, Sete Dias, interpretado por Tó Leal, também teve letra sua. Voltou anos mais tarde, em 2011, como letrista do tema Quase a Voar, que Henrique Feist interpretou.
Fique com as palavras de José Fanha acerca da nossa canção:
Gosto desta canção. É diferente da maior parte do lixo festivaleiro que costuma aparecer. Creio que para marcar presença positiva nos festivais é preciso sermos diferentes. Em matéria festivaleira na dita música comercial há vários países que nos levarão sempre um tremendo avanço.
A canção que tem a minha letra (“O meu coração não tem cor”) ganhou cá em 1996 com a Lúcia Moniz, e em Oslo teve a melhor votação de sempre dos portugueses no Eurofestival. Era uma canção diferente. E quando se pôs a hipótese de ganharmos o Eurofestival, os representantes da RTP ficaram em pânico, o que nos fez suspeitar de que a RTP não quererá ganhar um festival e ter de organizar o do ano seguinte.
É pena ter-se perdido o entusiasmo, o élan que havia nos finais dos anos 60 e início de 70. A qualidade das canções concorrentes era muito boa. Nalguns casos era excepcional. Depois foi quase sempre a cair.
Gostei da nossa canção deste ano. É diferente e tem uma interpretação quase comovente.
José Fanha

Miguel Gizzas nasceu a 6 de Fevereiro, é oriundo de Lisboa e vive em Cascais. É cantor e escritor sendo ele o responsável pelo primeiro romance musical editado intitulado Até Que O Mar Acalme, em livro e CD. Editou no ano passado o seu segundo trabalho que tem tido um enorme sucesso: O Dia Em Que O Mar Voltou. Ao nosso Festival da Canção trouxe o tema Amor Cruzado, que posteriormente integrou o seu primeiro CD e também faz parte do primeiro romance que escreveu. Participou na semifinal online do Festival da Canção 2011, não tendo sido finalista.
Fique com as declarações deste cantor e autor sobre Salvador Sobral:
Sentei-me numa das salas da Fábrica do Braço de Prata, com um copo de vinho e alguma papelada à frente, preparando-me para dar um impulso ao novo romance que estou a escrever. A sala estava a ficar demasiado composta, não fosse tocar, nessa noite, um grande amigo, da música, da vida e da bola, o Júlio Resende.
Os lugares vagos da mesa começavam a tornar-se demasiado convidativos. Ainda por cima estando a mesma tão bem situada, perto do palco.
– Posso sentar-me aqui?
Respondi antes de olhar. Podes, claro.
Só então olhei, encontrando o olhar de menino do Salvador Sobral, que tinha vindo ao mesmo. Ou quase. Seria o convidado surpresa.
A forma como os seus olhos percorreram o meu trabalho, com perguntas incessantes sobre o que era, com as exclamações embrulhadas de êxtase, ao entendê-lo – o romance musical, único no mundo, expliquei-lhe, pelo menos até agora – mostraram-me o que, de alguma forma, já sabia. O Salvador é um músico. Ou melhor, um Músico. Com M grande, daqueles que se procura, que sabe que um artista, depois de se tornar sublime em algo, se torna insatisfeito e parte à procura de algo mais. E nunca ficará parado. E aqueles olhos nunca deixarão de brilhar, como aconteceu várias vezes durante a noite, quando lhe expliquei a minha obra – Já viste, como é possível, perguntava-me, que de tanta gente na sala logo calhou a sentarmo-nos os dois na mesma mesa -, quando foi surpreendido com um solo do baterista, quando o conjunto de contrabaixo, bateria e o piano do enorme Júlio o maravilharam.
Depois foi a palco. Sem saber ao que ia. E quem se extasiou fui eu. Ao ponto de decidir colocar muito do Salvador neste próximo romance. Não o sabes ainda, Salvador, mas já sei quem serás.
Já agora, nunca deixes de ser o menino que és.
Miguel Gizzas

Agradecemos a Darko, David GuerreiroJosé Fanha e Miguel Gizzas a sua colaboração. Aceda aqui aos comentários já publicados anteriormente.

Fonte: Festivais da Canção | Depoimentos recolhidos por Miguel Meira

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