ESC2017 – O melhor de sempre!

Não há maneira melhor de começar este texto do que poder dizer que este foi o melhor ESC de sempre. E claro que isso não se deve às canções, ao palco, ao espetáculo em si, aos apresentadores, aos efeitos, etc. mas sim porque PORTUGAL GANHOU. Era algo que esperávamos há 53 anos, a maior espera no certame por um primeiro lugar, até por um top5. Foi mais que merecido, não só pela extraordinária canção e equipa que tínhamos, mas também por todas as injustiças que temos sofrido ao longo da nossa história no concurso. Agora temos a oportunidade de organizar o ESC no nosso país e mostrar o que sabemos fazer. Portugal já albergou muitos eventos desta dimensão, e maior até, e sempre fomos muito bem sucedidos. Quem não se lembra há 10 anos de termos sido escolhidos entre todos os países do mundo para albergar o espetáculo da divulgação das 7 Maravilhas do Mundo? Por alguma razão foi e certamente não foram os pastéis de nata. Existe confiança em nós, e cabe desta vez à RTP corresponder a essas expectativas ou superá-las. Não é portanto altura de pensar em economizar, pois se, por exemplo em 2013 não concorremos ao ESC por falta de fundos, então 2018 deveria ser o ano em que outros domínios são afetados. Talvez fosse um bom ano para dar mais primazia à cultura do que ao futebol, que como sabemos também terá um grande destaque no próximo ano devido ao Mundial.

Relativamente ao evento, não foi obviamente a melhor edição de sempre a nível de dimensão, palco ou visuais. Notou-se esforço ao longo de todo o processo pela televisão ucraniana para acompanhar as exigências do certame, mas tal como aconteceu da primeira vez que o espetáculo aconteceu em Kiev, má organização e problemas em cumprir prazos aconteceram e o ESC sofreu. Não houve grande uso de efeitos espetaculares, grandes números de abertura ou atuações de intervalo. Foi tudo muito comedido, pouco arriscado e pelo que se viu durante a atuação de Jamala, com pouca segurança. Parecia até um retrocesso relativamente a algumas grandes edições que vimos nos últimos anos. Os apresentadores eram simpáticos e competentes, mas depois da dupla  do ano passado, em especial devido a Petra Mede, era quase impossível impressionar. Estiveram bem, mas não minimamente memoráveis.

A primeira semifinal foi bastante mais forte que a segunda. Aqui vimos desfilar algumas das propostas mais sólidas do ano e que iriam ficar melhor classificadas na final, nomeadamente Portugal, Moldávia, Suécia e Bélgica. Chipre, Austrália, Arménia e Azerbaijão, foram também excelentes atuações, mas não estão poderosas ou memoráveis como as que referi antes. A estes países, juntaram-se a Polónia e a Grécia na qualificação. Merecido? Talvez… Havia apresentações melhores (em ambos os casos) e MUITO melhor interpretadas (no caso da Grécia). Pelas canções em si, claro que Islândia, a Letónia e até Montenegro mereceriam mais um passaporte para a final, porém perderam-se ao vivo. A Letónia, foi um espetáculo deplorável que não cabe a ninguém… Como é possível alguém apresentar uma canção daquela forma pavorosa e esperar ganhar ou sequer passar à próxima etapa?! A Islândia, com uma intérprete espetacular, um autêntico animal de palco, com toda a sua experiência, voz e presença… tudo desperdiçado, por erros de encenação. Talvez se Svala tivesse cantado no palco B, tal como o nosso Salvador, ou o trabalho de câmaras se concentrasse mais em close ups do que em mostrar a dimensão do palco, a canção não se tivesse esfumado. A Geórgia ofereceu-nos também um grande momento, principalmente devido à interprete e caso se tivesse qualificado, seria uma justa presença na final.

A segunda semifinal, bastante menos competitiva, era talvez a mais interessante de assistir em termos de suspense. Por as canções terem um nível (em geral) mais fraco, era muito difícil prever quem passaria ou não para a noite de sábado. As minhas surpresas foram a Croácia, a Holanda, a Bielorrússia. Não hesitaria em trocar qualquer uma delas pelas canções da Suíça ou da Estónia que, surpreendentemente e injustamente, ficaram pelo caminho. A Estónia sofreu mesmo a injustiça do ano. A Macedónia também merece algum destaque. A canção é genial e resultou muito bem em videoclip, mas tal como eu previa, pois acontece bastante às canções dance, perdeu-se totalmente em palco. Tiveram um pouco menos de sorte do que os vizinhos gregos. Os meus favoritos da noite foram Israel, Noruega e Áustria (que apesar de uma canção mediana, souberam levá-la a palco muito bem e isso fez a diferença).

Na final, gostei de ver alguns melhoramentos a diferentes níveis em várias propostas. Lembro-me, por exemplo, que a intérprete polaca deu 120% na sua atuação e mostrou que merecia estar naquela final. O mesmo se aplica a canções como a de Israel, da Áustria, Moldávia, Dinamarca e a Bélgica.

Relativamente aos países que vimos atuar pela primeira vez no sábado, começo por referir a Ucrânia, a Espanha e a Alemanha. Como era de esperar ficaram no bottom3 e muito mal pontuadas. Compreensível e justo. O Reino Unido, teve um dos grandes momentos da noite e o seu melhor desempenho desde 2009 na Eurovisão. Podia ter ido um pouco mais além, e merecia ter ficado melhor do que as canções da Croácia, da Hungria ou da Holanda. Itália e França, eram as grandes potências deste grupo já qualificado. Itália sofreu uma das injustiças do ano! Nunca pensei que esta canção ficasse em sexto lugar. Não o merecia. Era uma canção para vencer, que ficou bastante prejudicada quando foi reduzida para a versão de 3 minutos, e que resultou a apenas 90% no palco. Deveria ter ficado em segundo lugar, atrás apenas de Portugal. Era uma das poucas canções deste ano que realmente acrescenta algo ao mundo da música e com uma mensagem pertinente, entregue de uma forma muito inteligente. A França fechou o espetáculo e muito bem. Sem dúvida uma grande canção e intérprete. Uma intérprete que, mesmo estando sozinha em palco, ao contrário de outras, não pareceu pequena, mas sim fundir-se com o magnífico cenário. Merecia também ter ido mais além.

A nível dos resultados, não me surpreendi com a nossa vitória, apesar de haver sempre aquela desconfiança, fruto de todas as injustiças que já sofremos. Estivemos sempre na liderança e o único países que nos fez realmente sombra foi a Bulgária. Não entendo porquê. Não consigo ver a razão de tanto entusiasmo com esta canção. É uma balada eletrónica, moderna, bem encenada… igual a tantas outras. A sua única particularidade foi a interpretação avassaladora do jovem Kristian, mas não era razão suficiente para tantos pontos. Moldávia, Bélgica e Suécia completaram o top5 e devo dizer que justamente. Grandes canções, foram muito bem encenadas e interpretadas. Momentos altos e, no caso da Bélgica, Suécia (e também Itália), só não passaram a Bulgária porque não ofereceram nada de novo em palco, estiveram demasiado colados ao que seria expectável. Queria ainda referir as classificações do Azerbaijão, da Arménia, e especialmente de Israel que deveriam ter ido mais além.

Finalmente, para concluir quero dar os parabéns e agradecer a toda a equipa envolvida na nossa participação este ano, em especial ao Salvador e à Luísa Sobral que se tornaram heróis nacionais. Adivinha-se um grande futuro para estes irmãos e não estou a falar só em Portugal. Agora, temos a dificílima tarefa de igualar ou nos superar em 2018. Pode parecer impossível, mas também parecia impossível alguma vez ganharmos a Eurovisão e aconteceu… com 758 pontos!!!! Vamos lá! E volto a dizer o que disse em 2014, quando a Áustria ganhou. O ESC está a mudar, os padrões de votação apesar de se manterem, estão a cair lentamente e quando uma canção merece MESMO vencer, ela vence, independentemente do seu país de origem. E essa é a magia da Eurovisão.

Autor: Guilherme Ruivo  |  Fonte: RTP

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