Symone de la Dragma em entrevista |exclusivo|

Simão Telles nasceu a 27 de Junho de 1997 e tem 19 anos. Vive com a família em Pontével, distrito de Santarém e tem o 12º ano de Artes Performativas.

Veste a pele de Symone de la Dragma, o seu alter-ego, aquela que canta e representa. A avó é a sua costureira, fazendo os vestidos para Symone. Está no mundo da música há quase cinco anos e tem uma paixão pelas grandes cantoras como Shirley Bassey, Liza Minnelli, Lady Gaga ou Simone de Oliveira. Concorreu na última edição do The Voice Portugal.

Editou recentemente uma versão do tema Apenas O Meu Povo, que Simone de Oliveira interpretou no Festival da Canção 1973, com letra de Ary dos Santos, música de Fernando Tordo e orquestração e direcção de orquestra de Ivor Raymonde. Este tema valeu-lhe o Prémio de Interpretação. Aceda aqui ao destaque que fizemos acerca desta versão.

Estivemos à conversa com Symone de la Dragma acerca da sua carreira, desta sua versão e da Eurovisão. Leia a nossa entrevista em baixo.

Festivais da Canção – Como tem sido a sua carreira depois do programa The Voice Portugal?
Symone de la Dragma – Depois do The Voice Portugal apercebi-me que finalmente eu tinha obtido o meu espaço, isto é, poder fazer aquilo que quero sem qualquer tipo de barreira. Penso que o The Voice foi uma rampa de lançamento e reconhecimento, e isso agradeço ao programa, mas também penso que o verdadeiro eu, tanto como Simão ou Symone, não foi totalmente transposto para a TV, isto é achei que o meu máximo não foi dado, e que aquilo foi o mínimo, e sinto que depois do programa ainda tive muito que afirmar e provar às pessoas, o The Voice não foi o suficiente para tornar-me artisticamente aquilo que eu sou.
Sim, tenho tido algum trabalho, mas não tanto como desejaria, de vez em quando faço alguns piano bar, concertos para bares e casas pequenas, o meu último projecto foi em teatro e neste momento estou a experimentar novas músicas, novos cantores sem qualquer tipo de preocupação, basicamente tirei um tempo para mim, mas como é claro gostaria que por vezes esse tempo fosse preenchido com algum trabalho. Por mais que as pessoas me aceitem ou me levem a sério ainda há um preconceito com aquilo que faço e também não há credibilidade, as pessoas estão acostumadas à Symone que existiu apenas no programa e eu de todo nunca fui e nunca serei apenas essa, por isso acho que ainda tenho imenso para conquistar, e fazer as pessoas gostarem, mas para isso ensiná-las, porque para se gostar tem de se aprender.

FC – O seu nome é inspirado em Simone de Oliveira. O que pensa sobre esta diva da música portuguesa, que participou já em seis Festivais da Canção?
SDLD – Falar de Simone para mim e para quem me conhece é suspeito, a minha fixação pela Simone e respeito é tanta que nem sequer existem pontos negativos ou coisas más que eu possa dizer sobre a Simone. Para mim a Simone é sem saber, a madrinha da Symone, isto é, a grande pioneira do personagem que existe.
Há pouco tempo soube que ela já ouviu o tema (Apenas O Meu Povo) e que gostou do que ouviu, agradeceu-me o facto de eu a cantar (Simone) e de lhe dar voz. Foram comentários curtos com grande significado para mim como artista, acho que ter um comentário positivo da própria Simone, foi o melhor que pude receber nesta minha gravação.
Eu acho que o problema da Simone é a sociedade, os rótulos, as pessoas vêem a Simone como a Desfolhada e como quase uma “super heroína”, a “mulher coragem”, não tiro o mérito a quem ache isso, e que até possa ser verdade, não é, mas eu como admirador que sou acho que há muito mais dentro da Simone que apenas a Desfolhada. Foi por isso que eu também quis agarrar num tema de sua interpretação desconhecido, belo, nas palavras de José Carlos Ary Dos Santos e na música de Fernando Tordo.

FC – Como surgiu a oportunidade de gravar o tema Apenas O Meu Povo?
SDLD – A oportunidade de gravar este tema surgiu pelo convite de uma pessoa que trabalha com um estúdio de gravação e também é maestro de uma orquestra. Como nunca tinha gravado em estúdio e a minha vontade era tanta, o meu pedido chegou até esta pessoa, o “desejo” foi realizado, foi-me pedido um tema qualquer e não hesitei quando escolhi o tema Apenas O Meu Povo, primeiro porque era uma música da qual já andava de olho há muito tempo, já tinha pesquisado muito sobre a própria música também, e como o poema era tão bonito e tão desconhecido resolvi em arriscar não ir pelo comercial e pelo conhecido, e agarrar no tema como quem agarra o boi pelos cornos. (risos).

FC – O que significa para si este tema?
SDLD – Este tema significa imenso para mim, primeiro pela história que tem para a Simone, esta foi a primeira canção que a Simone cantou depois de ter perdido a voz, no Festival da Canção de 1973 onde ganhou o Prémio de Interpretação. Li algures que depois da interpretação Simone recebeu uma ovação de aplausos pelo público vibrante.
Depois também, claro pelas palavras do poeta Ary Dos Santos, acho que cada frase, cada palavra é posta com sentimento, com amor, com garra e realmente não dá para entender como é que este tema nunca foi uma Tourada ou uma Desfolhada.
Pessoalmente este tema reflete-se imenso em mim, a letra fala de alguém que está de relações cortadas com a vida, que está farta de barreiras, farta de nãos, farta da solidão, do sofrimento… e tudo isso por vezes, também se reflete um bocado em mim, talvez a minha gravação seja um grito de alerta para quem não me conhece, ou até mesmo para quem está tão perto e não entende a dor.

FC – Fale-nos dos seus projectos futuros.
SDLD – Inicialmente não tenho qualquer projecto, mas em “águas de bacalhau” há uma vontade ou hipótese assim dizendo de gravar mais, gostaria de gravar a Visita de Camarim do Varela Silva, talvez mais um ou dois temas mas para agora a Visita de Camarim, seria uma primeira opção para um próximo projecto, mas como digo com os pés muito assentes na terra, pois não há nada confirmado. Também há a possibilidade de fazer alguns piano bar com mais regularidade por Lisboa, mas é apenas uma ideia a ser discutida ainda também. Só não avanço mais porque como tudo neste País é preciso ter dinheiro para fazer qualquer coisa, qualquer dia até para andar tem de se pagar o chão que se pisa, a vida está difícil e mais ainda para quem quer ser artista, mas como diz Simone “a força da esperança dá-nos confiança…”

FC – O que pensa da vitória de Salvador Sobral este ano no ESC2017?
SDLD – Mentira a minha se eu disser que gosto da música e do Salvador. Não é não gostar, mas pessoalmente não achei que houvesse uma empatia entre público e intérprete, acho que ele é muito distante das pessoas e acaba por desprezar um bocado os seus fãs, não é que ele o faça de propósito, mas acho que da parte dele poderia haver uma compreensão por parte do público, é que estivemos tanto tempo à espera que Portugal ganhasse um festival, e quando finalmente aconteceu as pessoas entraram em êxtase e há quem viva para aquilo. Não gosto de algumas atitudes que já vi, como por exemplo desmerecer outros géneros musicais, sejam eles pop, rock, blues, jazz, acho que há sempre lugar para todos e não preciso estar a desmerecer outros apenas por não se gostar, temos de saber respeitar e acho que é isso que falta ao Salvador.
Quanto à sua vitória fico feliz, por Portugal, a vitória do tema Amar pelos Dois foi pela injustiçada Desfolhada, pela Tourada, pelo E Depois do Adeus, pelo Sol de Inverno, pelo Ele e Ela, e por outras tantas que poderiam ser as vencedoras, tudo isto, uma questão de sorte, e claro, de tempos!

FC – Obrigado pela sua colaboração e boa sorte para o seu trabalho!
SDLD – Obrigado pela oportunidade e vossa atenção, Symone De Lá Dragma

Fonte: Symone de la Dragma, Festivais da Canção

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