Salvador estrelou na noite de Belém

Terá sido este o concerto do ano? Sim, provavelmente foi o concerto do ano. Isto porque o próprio Salvador estava numa grande ansiedade por ir atuar numa das salas mais emblemáticas do país, de Lisboa, a sua cidade, na sala onde na semana passada diz ter assistido a um dos melhores concertos da sua vida, e onde só pensava que estaria dali a uns dias naquele palco também. Salvador disse que nem conseguiu dormir de tão expetante que estava para chegar a hora do concerto. Hoje repete, mas certamente tudo será diferente, mantendo-se igual na sua essência.

A essência de Salvador esteve toda ontem naquele momento de comunhão com o seu público. Um público heterógeno, que a popularidade trouxe, mas que também ficou porque a música que lhes é dada é boa, ele sabe-o, disse-o, e todos sabemos que é verdade!

O início do espetáculo foi uma espécie de manifesto e apelo. Em vez da habitual mensagem para desligarmos os equipamentos electrónicos, ainda atrás do palco, foi mesmo Salvador que deu esta mensagem, sempre com a sua habitual irreverência, alertando que devíamos todos usufruir do espetáculo, e que no fim daria 20 segundos para então todos lhe tirarmos fotos, mas apenas 20 segundos, mesmo! O público respeitou, apesar de num momento ou outro disparar uma “flashada” da plateia ou camarotes ao que Salvador dizia: ah, então, ainda não dei os 20 segundos!

Na verdade todos nos sentimos em casa, desde os músicos em palco, como as pessoas que ali estavam na frente ou as pessoas que estavam nos balcões. É essa a magia que a boa música, os cantores e os verdadeiros intérpretes nos dão, esta união, que nos faz sentir em comunhão seja em que espaço for e de que dimensão for!

Salvador ia-nos oferecendo canções, como se cada uma fosse um presente delicado, que devemos abrir com cuidado e apreciar, sejam elas originais, antigas, gastas nas vozes de outros vultos, ou não, ou mesmo aquelas que ficam perdidas no vazio do tempo, que quase ninguém conhece. Mas sempre cantadas de maneira diferente, não é só aquela canção que todos já sabemos de cor que ele canta sempre de maneira diferente, são todas, mesmo! É esta autenticidade que o torna maior, sem precisar de ser maior que este ou que aquele.

Pelo meio contava as suas histórias, as histórias destas canções, daquelas que fizeram parte do seu primeiro disco, Excuse Me, e das que farão parte do segundo. Deste segundo álbum disse que sente uma grande pressão! A própria editora o pressiona um pouco, já que agora é que ele está a dar… se bem que desde domingo não é bem assim, se calhar é melhor esperar algum tempo… Não foi engano, Salvador referiu domingo, provavelmente deve-se ao anacronismo que diz sofrer que não lhe permite ter uma noção real do tempo!

E eis que chegaria o momento que muitos esperavam, aquele que terá levado muitos ali, e que levará outros tantos a outros lugares. A história foi contada de novo, a começar pelo telefonema que a mana Luísa lhe fez, o horror ao voltar à televisão, mas como resistir a uma canção bonita? E foi este um dos grandes momentos, sem dúvida, a emoção tomou conta de Salvador. Talvez nem toda a gente tenha sentido, mas quem estava perto pode ver, na penumbra, a emoção daquela pessoa enorme, que se emocionou enquanto os primeiros acordes eram tocados. A voz de Salvador mostrou essa fragilidade humana, quando entoou as já palavras mágicas: se um dia alguém… Depois passou… e o público agarrou a canção como um hino, que também o é, como um hit que se sussurra e que encanta toda a gente, só não chegará a quem não tem coração, e toda a gente tem um.

Quase a chegar ao final, o palco tornou-se mais negro, para Salvador apresentar a surpresa preparada para esta noite no CCB. Só a explicou no fim, para não ficarmos perdidos! Era uma canção que falava de alguém que estava num coma e não queria acordar, porque sabia que se acordasse tinha de lidar com a morte, já que tinha morto alguém. Uma letra que diz que lhe foi saindo até a “vomitar” por completo, para finalmente a perceber.

Mas para o público não sair com uma imagem escura do concerto, Salvador tomou conta do piano para nos brindar com uma espécie de medley, apesar desta palavra ser uma ofensa à arte que passou por ali.

E como um cantor precisa de música e músicos, Salvador está bem rodeado, e numa verdadeira cumplicidade com aqueles que o acompanham tão magistralmente: Júlio Resende ao piano, André Rosinha no contrabaixo e Bruno Pedroso na bateria.

Portanto, não só por ser o cantor do momento, não só por ser o vencedor do Festival da Canção e ser o possuidor do título (rótulo) do vencedor da Eurovisão, e claro, ser o nosso primeiro vencedor do mítico concurso, mas também por ser um músico e intérprete genial, único, na verdadeira essência, não pode perder a oportunidade de assistir a um dos vários concertos que preenchem a já longa agenda de Salvador Sobral para os próximos tempos!

Em Lisboa, a sua cidade, o novo encontro está marcado para os dias 6 e 7 de Outubro, no Teatro da Trindade, mas seja onde for atenção: esgota rapidamente!

VIVA O SALVADOR!

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Fonte: Festivais da Canção | Autor: André Miguel Godinho | Fotos: © André Miguel Godinho

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