Salvador Sobral vaiado em Sesimbra por não cantar “Amar pelos dois”

Salvador Sobral foi vaiado em Sesimbra. O público ficou descontente quando o vencedor do Festival Eurovisão da Canção não cantou Amar pelos Dois, num concerto do projeto Alma Nuestra.

Há já algum tempo que me tenho deparado com notícias muito deselegantes, referentes ao nosso grande Herói do Festival da Eurovisão, que nos trouxe, pela primeira vez, a grande vitória tão ansiada e nalgumas ocasiões merecida, nesta maior festa mundial da música, estou-me obviamente a referir ao cantor português Salvador Sobral.

Confesso, que das primeiras vezes tentei desvalorizar os comentários, dando-lhes sempre o desconto de que poderiam ser afirmações algo deturpadas ou até e porque não seria impossível, um bocadinho de algum ressabiamento pelo ato heróico por ele conquistado.

Ao longo destes meses, verifico que são de facto muitos os casos polémicos em que este cantor se envolve e como diz o ditado “quem cala, consente”, aqui estou numa de não me calar mais e fazer o meu primeiro comentário sobre este assunto, num artigo de opinião que é a minha.

A gota de água foi mesmo o Concerto Solidário Juntos por Todos no Meo Arena em prol da grande catástrofe que assolou o nosso País no passado mês de junho, nomeadamente em Pedrogão Grande.
Eu não queria acreditar no que tinha acabado de ouvir, não queria acreditar que afinal os comentários que eram ditos a seu respeito e que eu não os vou aqui referir porque não acho necessário, eram mesmo verdade, o rapaz tem mesmo momentos de uma certa insanidade e uma irresponsabilidade que não são normais.

A mais recente notícia de mais uma das suas atitudes e falta de respeito por quem o idolatrou e trouxe na mente os momentos gloriosos de ver aquele placard na nossa televisão com tantos países a darem-nos 12 pontos, a maior pontuação de sempre alcançada por um vencedor no Eurofestival, é a de que o cantor foi vaiado pelo público de um concerto em que participou, na Fortaleza de Santiago, em Sesimbra, esta semana.
Segundo o site da revista Flash, Salvador, Sobral deu voz ao projeto do compositor cubano Victor Zamora (piano), com Nelson Cascais no contrabaixo e André Sousa Machado na bateria.
Ainda que o repertório do grupo seja composto por canções da América Latina, os espectadores pediram repetidamente que Salvador Sobral cantasse Amar pelos Dois, certamente que ninguém deste projeto se importaria de que no meio dos temas latinos, se enquadrasse esta canção, ou mesmo no final como se um bónus se tratasse.
Durante cerca de cinco minutos, centenas de pessoas não arredaram pé e continuaram à espera do regresso do herói de Kiev. Bateram palmas com maior ou menor força e nada; chamaram por ele e nada; vaiaram com assobios e apupos e nada. Nem sombra de Salvador ou da canção que o celebrizou em maio último e que tem arrastado multidões (…), escreve-se no site da Flash.

Na sequência da vitória na Eurovisão, Salvador Sobral tem dado numerosos concertos, tanto “a solo” como com os Alexander Search, projeto que tem com Júlio Resende. Por isto e por outras coisas, o cantor tinha o dever de se comportar de outra forma e de ter mais respeito por tudo e todos.

Menino, olhe que o seu estado de graça poderá acabar de um momento para o outro, porque se não fosse a sua participação e vitória quer no Festival da Canção da RTP, quer no Festival da Eurovisão não teria o público que tem com salas esgotadas e múltiplos concertos, assim como a permanência do seu único CD nos Tops portugueses. É graças a estes dois eventos que parece desvalorizar que tem público e vendas.

Como expectadora, como eurofã, como admiradora do Festival da Canção desde o primeiro ano, tenho mesmo a lamentar que pela primeira vez que estamos “em cima” com uma vitória tão linda e preciosa para todos nós, Salvador Sobral despreze tanto um tema lindo composto pela sua irmã Luísa Sobral que muito merece o meu maior respeito, e a quem eu agradeço o seu grande momento de inspiração.
Já o ouvi referir que gosta da canção que o tornou conhecido do grande público mas que poderá deixar de a cantar nos seus espetáculos. Deixe-me que o alerte que a grande maioria do público que esgota os seus espetáculos só o vão ver porque o querem ouvi-lo cantar Amar pelos doisNem todos os grandes intérpretes da nossa praça se podem orgulhar de ter um êxito com a dimensão de Amar pelos dois. Porém, para citar alguns dos grandes intérpretes portugueses que levaram simbólica e literalmente a nossa bandeira à Eurovisão ainda hoje têm nos seus reportórios as respetivas canções, não só porque  reconhecem o valor musical e poético dos respetivos temas, como têm respeito pelo público que lhes pede que interpretem esses temas, alguns com mais de 50 anos.
Vou apenas aqui referir alguns destes meritórios exemplos:
Simone de Oliveira com um dos mais vastos reportórios entre todos os cantores portugueses ainda hoje canta Sol de Inverno (1965) e Desfolhada (1969)
Tonicha até ao fim da sua carreira sempre cantou a sua e nossa Menina (1971)
Carlos Mendes ainda mantém no seu reportório A festa da vida (1972) e o Verão (1968)
Fernando Tordo já tem referido que o público não lhe perdoa se não cantar a canção que levou à Eurovisão em 1973, Tourada
Nem passa pela cabeça de Paulo de Carvalho deixar de interpretar E depois do adeus (1974)
Era impensável Manuela Bravo não cantar Sobe, sobe balão sobe (1979)
José Cid, embora não goste muito de Um grande, grande amor (1980) ainda o canta a pedido do seu público
Adelaide Ferreira ainda hoje canta Penso em ti (eu sei) que levou ao ESC em 1985
Dora nos seus espetáculos continua a interpretar Não sejas mau p’ra mim (1986)
Nos anos 90 Nucha, Dulce Pontes, Anabela, Rui Bandeira e no século XXI Marco Quelhas e Rita Guerra continuam a não defraudar os respetivos públicos e interpretam as canções que levaram à Eurovisão.
A lista seria muito mais longa, mas estes são exemplos mais que suficientes que denotam respeito para com os devidos autores e compositores, mas acima de tudo para com o público, porque sem público, as salas ficam vazias, os espaços irão voltar a ficar indisponíveis para os seus espetáculos e os próximos discos podem sair sem que se dê por eles.

Por tudo o que é aqui exposto neste meu artigo de opinião reitero que o mega sucesso Amar pelos dois com apenas cinco meses (data da apresentação primeira na primeira semifinal do Festival da Canção) deverá ser incluído em todos os espetáculos em que Salvador Sobral participe, caso não o faça poderá esperar mais vaias e depois pior que as vaias a indiferença do público.
Salvador não deixe que essa sua rebeldia se confunda com soberba e dê voz ao fantástico tema que a sua irmã criou para si, com tanto amor.

Fonte: Site da Revista Flash | Autora: Maria Fernanda Fonseca

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s