O Último Espetáculo de… Bruno Xavier

Bruno Xavier nasceu em Cascais a 10 de Setembro de 1985. É um ator com larga experiência em teatro, televisão e cinema.

Em televisão participou em produções de ficção dos três canais generalistas de televisão e citamos algumas em que interveio: Valor da Vida (TVI 2008), A Herdeira (TVI 2018), Solteira e Boa Rapariga (RTP 2018), Espelho de Água (SIC 2017) e A Impostora (TVI 2016), entre muitas outras obras de ficção.

No teatro o seu currículo é vasto tendo participado em várias produções de Filipe La Féria, Produção Plano 6 e do Teatro Confluência entre muitas outras.
Um ator versátil que representa e canta como ficou demonstrado nos musicais Robin dos Bosques, O PrincipezinhoGodspell e mais recentemente em Severa onde foi o protagonista vestindo a pele do Conde de Vimioso. Este ator foi considerado pelo nosso site como um dos melhores atores de teatro em 2019 pelo seu desempenho no musical Severa.

No cinema interveio nos seguintes filmes:
Spin-off – Curta Metragem de Farid Salamé (2018), Jacinta de Jorge Paixão da Costa (2017), Haphazard – Curta Metragem – Protagonista em Projeto de Audiovisual e Multimédia – ESCS (2013), Stole my Heart – Curta Metragem de Nuno Morais – Protagonista (2012) e The 48 Hour Film Project, exibido no Cinema São
Jorge (2012).

Agradecemos a Bruno Xavier a sua colaboração nesta rubrica que aborda o fim de um ciclo e a fase em que nos encontramos com muitas vidas em suspenso.
Passamos a publicar o testemunho de Bruno Xavier sobre os seus últimos espetáculos.
O Último Espetáculo em que participou:
No momento em que as salas de teatro começaram a fechar, já tínhamos feito a despedida ao espectáculo “Severa” – O Musical, do Filipe La Féria. Estivemos um ano em cena e fizemos 300 apresentações. Como se pode imaginar, foi um ano com bastante trabalho, tendo em conta que continuei a participar noutros projectos e ainda estreamos uma peça infantil no mesmo teatro, que mantivemos em cena até ser impossível continuar devido à pandemia.
Esta paragem mexeu muito com toda a companhia e com toda a classe artística. Parar sem data de regresso é angustiante. Mas confesso que, apesar do choque de ficar sem emprego, eu estava de facto a precisar parar. Não assumi esta paragem como férias, atenção, mas aproveitei para pensar sobre o que está a acontecer, para pensar no que este último ano de trabalho me trouxe. Ter tempo para parar e pensar é algo muito valioso que já há algum tempo não tinha. Não devia ser uma pandemia a dizer-me que parar e pensar na vida é essencial. Mas é, de facto, essencial, porque muitas vezes entramos num ritmo frenético de trabalho, de execução, de rotina, e corremos o risco de nos perdermos na repetição dos dias, e isso acentua-se quando fazes uma peça de duas horas e meia todos os dias durante um ano. Sou um sortudo por fazer o que gosto, e foi um prazer fazer parte de um elenco tão bom como o da “Severa”, e só com um elenco assim é que se consegue evitar cair no mecânico da cena. Entrar no teatro para mais um dia de trabalho como se fosse o primeiro é muito importante, e esse exercício, o de todos os dias procurar uma nova motivação para dizer aquele texto outra vez e outra vez, é o nosso dever. Dever para com o público que está na sala pela primeira vez, e os que estão pela segunda, terceira, por aí fora. Tivemos algumas pessoas a ir ver a “Severa” mais de 20 vezes. Custa a crer, mas é real, e é impressionante. O público era para mim a motivação principal. E agradeço a todos os que foram ver e encheram as salas durante tantos meses. Num balanço final, fui muito feliz em cena, mas também fui muito feliz fora de cena, nos camarins, no bar e nos corredores do teatro, com os meus colegas que foram a minha família durante esse ano. Conheci pessoas que quero manter junto a mim para sempre.

O Último Espetáculo a que assistiu:
Não sei se foi mesmo a último peça, acho que vi outras depois, mas digo a que mais gostei de ver antes de tudo parar por causa deste maldito vírus! “A Reconquista de Olivenza” do Ricardo Neves-Neves. Já trabalhei com o Ricardo e acompanho o trabalho dele com atenção, tinha vários colegas e amigos no elenco e nesse dia fui ver porque não houve “Severa”. Foi uma folguinha que tive de teatro e decidi meter-me onde? Dentro de outro teatro. Mas foi um dia feliz por ver colegas a trabalhar e a trabalhar bem. Pude sentar-me e apreciar um espectáculo, estava com saudades disso nessa altura. Depois, abre o pano e foi rir de início ao fim. Uma estética visual e sonora incríveis, com inspiração nos vídeo jogos e desenhos animados, como o Dragon Ball, tudo da minha adolescência. Um tom eufórico, quase constante, vindo do palco, graças a uma entrega brutal dos actores. Fiquei impressionado tanto pela ideia como pela coragem de montar algo assim.

Sobre o atual momento com as salas de espetáculo encerradas:
Este terceiro ponto tem um piso escorregadio. Depende da data, porque o “actual” momento é relativo. Há umas semanas estava num estado de espírito diferente, agora o estado de espírito é outro. Até sair a próxima medida ou comunicado do Ministério da Cultura não sei se mudo de estado de espírito ou se o meu espírito já me abandonou. Ninguém tem culpa, só a pandemia é que tem culpa pela paragem de uma classe. Uma classe já por si frágil. Parada então, fica morta. A não ser que alguém lhe dê o devido valor, que assuma a responsabilidade de não a deixar cair. Deixar cair a cultura de um país, é deixar um país morrer. Mas aos poucos. De fome. Gostava de ver uma preocupação maior vinda de quem nos governa. As medidas de reabertura das salas de teatro impossibilitam maior parte dos teatros, principalmente os privados, de retomar as suas actividades por completo. Tem de ser. Compreendo. Só não compreendo a falta de coragem de assumir que o sector cultural necessita de salvamento. Um milhão não chega. Festivais televisivos não chegam. Dinheiro há, os bancos que o digam. Falta é a coragem e a competência de o aplicar como deve ser.

Fonte: Festivais da Canção

Um pensamento sobre “O Último Espetáculo de… Bruno Xavier

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