O Último Espetáculo de… Simone de Oliveira

Falar de Simone de Oliveira … basta apenas pronunciar ou escrever o seu nome que cada português identifica logo de quem falamos e tem na sua memória vários aspetos da carreira desta grande Senhora da cultura em Portugal, como se cada um de nós tivesse na memória uma biografia personalizada desta Mulher, Cantora e Atriz que é um nome maior do nosso país.

Vamos aqui destacar apenas uma vertente da carreira de Simone de Oliveira que são as suas participações nos Festivais RTP da Canção e também da Eurovisão.
Simone de Oliveira teve duas canções no I Grande Prémio TV da Canção Portuguesa 1964 foram elas Olhos nos Olhos (António Antão e Carlos Canelhas) e Amar é Ressurgir (Manuela de Moura Sá Teles Santos e João Andrade Santos).
No ano seguinte concorre com Silhuetas ao Luar (Manuela de Moura Sá Teles Santos e João Andrade Santos) e com Sol de Inverno (Jerónimo Bragança e Nóbrega e Sousa), tema com o qual ganha a edição de 1965 e representa Portugal em Nápoles, no Festival Eurovisão da Canção.
No V Grande Prémio TV da Canção Portuguesa 1968 Simone ineterpreta as duas últimas canções do desfile: Dentro de Outro Mundo (António José e Pedro Jordão) e Canção ao Meu Piano Velho (Rui Malhoa e Pedro Jordão).
Inesperadamente em 1969, a cerca de uma semana para o VI Grande Prémio TV da Canção Portuguesa, Simone é convidada para defender o tema de Ary dos Santos e de Nuno Nazareth Fernandes, Desfolhada, tema com que vence indubitavelmente o certame e representa Portugal na Eurovisão que nesse ano se realizou em Madrid, Espanha. Esta canção, não tendo sido feito a pensar em si, mas apenas Simone e poderia cantar e dar-lhe o sucesso que teve, tem e terá.
Depois da chegada apoteótica à estação ferroviária de Santa Apolónia vinda de Madrid, Simone enfrenta uma época de intensos espetáculos e perde a voz.
A cantora regressa aos palcos com uma nova voz e modo de interpretar em 1973 e a grande estreia é assinalada no palco do Teatro Maria Matos, precisamente no X Grande Prémio TV da Canção Portuguesa, com a canção Apenas o Meu Povo (Ary dos Santos e Fernando Tordo), cujo desempenho lhe valeu o Prémio de Interpretação.
A última presença de Simone nos Festivas da Canção, como concorrente, foi em 2015 com a composição À Espera das Canções tema assinado por Tiago Torres da Silva e por Renato Júnior.

Agradecemos a Simone de Oliveira a sua colaboração nesta rubrica, o que muito nos honra.

Esta rubrica pretendeu recordar os últimos espetáculos em que os nossos convidados intervieram como participantes e espetadores antes do confinamento a que a pandemia os forçou.
O último espetáculo de Simone de Oliveira antes do confinamento foi no dia 9 de Março no Auditório Carlos Paredes, tendo sido acompanhada ao piano por Nuno Feist, com casa esgotada. Poucos dias depois os portugueses auto confinaram-se, tendo o primeiro estado de emergência sido decretado a 18 de março por iniciativa presidencial, como o apoio do governo e a aprovação da Assembleia da República.

Passamos a transcrever o testemunho de Simone de Oliveira sobre como tem vivido este período de confinamento e onde também refere qual foi o último espetáculo em que foi espetadora:
Meu querido obrigada pelo convite…o último espectáculo que vi em teatro foi “A Severa”, no Politeama, o último filme, “O Milagre da Cela 7” na Netflix, ainda li 3 livros “O reinado da Rainha Ginja”, do José Agua Lusa,o 4 livro de cronicas do Lobo Antunes, e do Luís Sepúlveda “História de uma gaivota que um pássaro ensinou a voar”…..maravilhoso… e preparo-me para reler o “Rio das Flores” do Miguel Sousa Tavares! Voltei a ler coisa que não fazia há bastante tempo. Ah… “The Crown” na Netflix. Também ouço música Smoth F.M.bom….. sou boa assistente de televisão. Telejornal sempre, telenovelas e séries!. Não tem sido uma fase facil mas nunca tive nem depressão…nem medos em demasia. Vivo sozinha há muitos anos 25…. Desde a morte do Varela! Companhias habituais os telefonemas diários dos meus filhos, o Pedro vai às compras e entrega-me tudo… ,a Eduarda todos os dias pelo watsap, os netos, os amigos sempre presentes, Carlos Quintas, Victor de Sousa, Luís Madureira com quem tenho aulas de voz há 5 anos e muitos mais que têm marcado presença com muita assiduidade. Depois o tempo foi passando e dei por mim a fazer tudo em casa porque a pessoa que me ajuda…ficou em casa por morar fora de Lisboa e eu tive medo dos transportes….claro que continuei a pagar-lhe, porque está comigo há muitos anos. Fico feliz por conseguir manter a minha independência….com muita calma e contenção, embora viva angustiada com tudo o que se passa com tanta gente ….toda nossa…e os outros, com falta de trabalho, a falta de assistência, a falta de ….tudo!! Não sei o que se vai passar connosco…. Não sei nada….e tenho raiva de pensar!!! Sei que tudo isto é Mundial, mas eu vivo em Portugal, estarei a ser um pouco Egoísta? talvez….mas é o que eu sinto. Uma imensa gratidão a todos os muitos milhares de pessoas que ajudaram outros milhares. Vamos continuar, cada um da maneira que puder, a a ajudar o outro. Obrigada por me terem ajudado a chegar até aqui. Aquele abraço, aquele beijo….e uma cantiga. A vossa Simone.

Fonte: Festivais da Canção

Um pensamento sobre “O Último Espetáculo de… Simone de Oliveira

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